quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Anemia falciforme requer cuidado por toda vida


   Anemia falciforme é uma doença que passa dos pais para os filhos e é caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos do sangue, tornando-os parecidos com uma foice, dando origem ao nome falciforme. Quando isso ocorre, as células têm sua membrana alterada e rompem-se mais facilmente, causando anemia.
    A doença é mais comum entre os negros. No país, eles representam cerca de 8% dos casos e, devido à intensa miscigenação brasileira, a patologia pode ser observada também em pessoas brancas e pardas.

Sintomas
   Os sintomas desse tipo de anemia podem variar em cada indivíduo: algumas pessoas podem apresentar sintomas leves, enquanto outras desenvolvem um ou mais sinais intensos. De maneira geral, aparecem na segunda metade do primeiro ano de vida da criança. São eles:
- Icterícia (cor amarela nos olhos e pele): é o sinal mais frequente da doença. O quadro não é contagioso e não deve ser confundido com hepatite. Quando o glóbulo vermelho se rompe, surge um pigmento amarelo no sangue (a bilirrubina), fazendo com que o branco dos olhos e a pele fiquem amarelados;
- Crise de dor: é o sintoma mais frequente da doença, causado pela obstrução de pequenos vasos sanguíneos, provocados pela ‘foice’ dos glóbulos vermelhos. A dor é mais frequente nos ossos e nas articulações, mas pode atingir qualquer parte do corpo. As crises têm duração variável e podem ocorrer várias vezes ao ano. Geralmente, elas estão associadas ao tempo frio, infecções, período pré-menstrual, problemas emocionais, gravidez ou desidratação;
- Síndrome mão-pé: em crianças pequenas, as crises de dor podem ocorrer nos pequenos vasos sanguíneos das mãos e dos pés, causando inchaço, dor e vermelhidão no local;
- Infecções: as pessoas com doença falciforme têm maior propensão a infecções e, no caso das crianças, chances de desenvolver pneumonia e meningite. Por isso, elas devem receber vacinas especiais para prevenir complicações. Ao primeiro sinal de febre, deve-se procurar o hospital onde é feito o acompanhamento da doença. Esta medida certamente contribuirá para que a infecção seja controlada com mais facilidade;
- Úlcera na perna: ocorre mais frequentemente próximo aos tornozelos, a partir da adolescência. As feridas podem levar anos para a cicatrização completa, se não forem bem cuidadas no início. Para prevenir o seu aparecimento, os pacientes devem optar pelo uso de meias grossas e sapatos;
- Sequestro do sangue no baço: em crianças acometidas por essa doença, o baço (órgão que filtra o sangue) pode aumentar rapidamente por sequestrar todo o sangue, levando à morte pela falta deste em  outros órgãos, como o cérebro e o coração, rapidamente. É uma complicação da doença que envolve risco de morte e exige tratamento emergencial.

Diagnóstico e Tratamento
   A detecção é feita através do exame eletroforese de hemoglobina. O Teste do Pezinho básico, realizado gratuitamente nos primeiros dias de vida do bebê, permite o diagnóstico precoce desta e demais hemoglobinopatias.
   Quando detectada a anemia falciforme, o bebê deve receber acompanhamento médico adequado, num programa de atenção integral e que deverá ser seguido por toda a vida. Nele, o paciente é assistido por uma equipe de profissionais capacitados para o tratamento  dessa doença, com a tarefa de orientar sua família a reconhecer rapidamente os sinais de gravidade, a tratar adequadamente as crises e a praticar medidas preventivas.
   A equipe é composta por médicos, enfermeiras, assistentes sociais, nutricionistas, psicólogos, dentistas, entre outros.
   Como qualquer criança, as que são portadoras de anemia falciforme devem ter seu crescimento e desenvolvimento acompanhados.
   Não há tratamento específico e a cura ainda é desconhecida. Os portadores demandam acompanhamento médico constante (quanto antes iniciar, melhor será o prognóstico) para manter a oxigenação adequada nos tecidos e a hidratação, além de prevenir infecções e controlar as crises de dor.

Recomendações
   O reconhecimento de sintomas e algumas dicas podem ser decisivos para a vida dos portadores de anemia falciforme. Saiba o que fazer:
* Exija que o Teste do Pezinho seja feito em seu filho/a logo depois do nascimento. Se for constatado que é portador de anemia falciforme, encaminhe-o logo para um médico especialista;
* Procure imediatamente assistência, se a pessoa apresentar uma crise de dor. Embora ela possa ser tratada com analgésicos, repouso e ingestão de muito líquido em casa, às vezes, somente o médico será capaz de avaliar a necessidade de internação hospitalar;
* Entenda a febre como um sinal de alerta e não faça uso de medicamentos sem a orientação clínica dos responsáveis pelo acompanhamento do caso;
* Caso a pessoa fique pálida de repente, leve-a imediatamente ao hospital mais próximo;

* Lembre-se de que alterações oculares podem ocorrer nesses pacientes. Por isso, eles devem ser avaliados periodicamente por um oftalmologista.

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